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Querem transformar o mercado de alimentos com um app e já têm casos de sucesso

María Fernanda Bonesso tem 35 anos e nasceu em Maipú, Mendoza, em uma família de pequenos produtores de frutas. Estudou Economia na Universidade Nacional de Cuyo e seu caminho profissional a levou por outras áreas…

Publicada em Agrofy News em 5 de novembro de 2021

Querem transformar o mercado de alimentos com um app e já têm casos de sucesso
  • Querem transformar o mercado de alimentos com um app e já têm casos de sucesso

María Fernanda Bonesso tem 35 anos e nasceu em Maipú, Mendoza, em uma família de pequenos produtores de frutas. Estudou Economia na Universidade Nacional de Cuyo e seu caminho profissional a levou por outras áreas, longe da atividade agropecuária.

“Quando criança, eu ajudava no negócio da família, mas não via essa atividade como algo para trabalhar no futuro; acho que isso acontece com outros jovens também”, contou em entrevista ao Agrofy News.

Recebeu uma bolsa da Fundación Carolina na Espanha para se especializar em Finanças, enquanto trabalhava em um banco. Depois continuou estudando em Buenos Aires, onde fez um Mestrado em Gestão de Riscos Econômicos e Financeiros na UBA, e na Di Tella, onde cursou Economia Aplicada. No entanto, apesar dessa trajetória profissional brilhante, não estava satisfeita: “Nada me convencia de verdade e decidi voltar”, disse.

Agrojusto, a revelação: da terra ao mercado

Todos os anos, em novembro, na época da colheita, o pai de María Fernanda enfrentava o mesmo problema: a comercialização dos seus damascos: “Com todos os produtores acontece o mesmo: não sabem para quem ou onde vender, ou têm que aceitar que lhes imponham todas as condições de venda em um processo unilateral”.

“Quando eu morava em Belgrano, passava pelas quitandas e via os preços dos damascos. Entendo os custos de logística, que são altíssimos, mas ver que os produtores jogam fora o que produziram porque ninguém quer comprar pelo preço é uma loucura. Foi aí que decidi fazer algo para mudar isso”, contou a empreendedora.

María Fernanda sentia que precisava encontrar algo que lhe permitisse gerar uma mudança: “No fim de 2017, quando começou o auge dos primeiros empreendimentos tecnológicos como Pedidos Ya e Uber, pensamos que tínhamos que criar algo parecido para resolver essa questão”.

Quando voltou a Mendoza, apresentou a ideia ao seu companheiro, que é empreendedor de tecnologia e entende de agricultura, e a um dos seus amigos, que é desenvolvedor web, e começaram a trabalhar: “Entendíamos o problema, mas ainda não sabíamos bem como resolvê-lo. Começamos a pesquisar e justamente vimos que na Colômbia havia algumas startups abordando o mesmo problema. Aí percebemos que isso acontecia em outras partes do mundo também”.

Veja também: Uma fintech criou um modelo alternativo de financiamento para pequenos produtores

O elo-chave da Agrojusto

Foi assim que, em 2018, nasceu a Agrojusto, uma startup que busca conectar pequenos agricultores e cooperativas diretamente com os consumidores, diminuindo os custos de intermediação. A plataforma ajuda os produtores a criar sua própria loja virtual para comercializar eles mesmos seus alimentos e, além disso, eles podem gerenciar as entregas em domicílio e adicionar formas de pagamento.

“No começo queríamos eliminar os intermediários; depois percebemos que queríamos tirar os que não geravam valor agregado para que esse produtor pudesse vender. Começamos a falar de gestores comerciais, como cooperativas, que fazem esse produto ser colocado junto com outros produtos. Diminuímos os custos de intermediação, não os eliminamos estritamente”, explicou Bonesso.

O primeiro impulso veio quando foram premiados em um concurso do INTA. “Participaram muitíssimos empreendedores da inovação na agricultura familiar e fomos um dos vencedores. Ali tivemos um primeiro app”, contou María Fernanda, CEO da startup, que divide a equipe com Ignacio Lemmo (CTO), Nelson Pérez (CIO) e Matías Lambrese (COO).

Os trabalhos seguintes para ampliar seu alcance permitiram obter o apoio do Centro de Implementação de Políticas Públicas para a Equidade e o Crescimento (CIPPEC) e do BID LAB, o laboratório de inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que atualmente financiam a iniciativa.

Parceiros tecnológicos

Desde 2020, os quatro empreendedores se dedicam em tempo integral ao projeto, e a plataforma está em operação há aproximadamente 4 meses. “Logo vimos os resultados. Digitalizamos comércios que estão em Buenos Aires e, graças à AgroJusto, eles encontram fornecedores de amêndoas que se inscreveram na plataforma. É muito gratificante ver essas coisas acontecerem”, exemplificou a empreendedora.

Seu modelo de negócios se baseia em oferecer tecnologia a produtores agrícolas, empreendedores, associações e cooperativas para que possam se conectar com os consumidores finais: “Existem mais de 300 produtores e mais de 500 lojas. Chegamos a esse número fazendo alianças e sabemos que a plataforma pode dar muito mais. Estamos no desafio do crescimento, de azeitar processos e aperfeiçoar. Também estamos buscando investidores que apostem nessa visão”, adiantou.

Logo perceberam que o coração do negócio devia passar pela sinergia: “Decidimos ser parceiros tecnológicos de organizações e produtores individuais, levando-os a outro nível. Não se sobrepor nas tarefas, mas potencializar atores que já existem”, disse a CEO da AgroJusto.

Essa decisão foi muito acertada, e estão tendo muito sucesso ao se unir a organizações como Sabe la Tierra, que há mais de 12 anos trabalha com produtores de Buenos Aires e tem impacto sobre mais de 25 mil consumidores: “Com a pandemia, ficaram sem vender. Nós fornecemos a eles uma tecnologia sofisticada, que, se fizessem por conta própria, seria impossível pelo custo e pelo conhecimento necessário”.

“Ser aliados tecnológicos é o nosso diferencial em relação a outros tipos de startups do agro. Nós escalamos com tecnologia. O crescimento é mais lento porque exige inserir tecnologia em segmentos pouco tecnificados, mas é uma mudança mais profunda”, explicou a empreendedora.

Trabalhar com os jovens

Para ilustrar melhor, a CEO da AgroJusto contou que é como uma “Nuvemshop” especializada em pequenos produtores que, além disso, tem um marketplace interno: “Hoje o que apostamos é que qualquer ator, seja um produtor, uma loja ou uma cooperativa, possa montar sua tecnologia de e-commerce com acompanhamento na venda digital de alimentos. Ao mesmo tempo, dentro dessa mesma plataforma há dados de produtores integrados para que possam se abastecer, e é aí que se cria uma rede e conectamos a cadeia”.

O alcance da plataforma é nacional. “Temos muita relação com Misiones, Jujuy, Buenos Aires, Córdoba, Mendoza, Chaco e Entre Ríos. Nos apoiamos muito nos jovens, que são os que executam. Capacitamos os filhos dos produtores para que eles levem adiante a transformação. Assim vamos mudando o esquema de inserção e comercialização”.

Primeiros resultados

María Fernanda detalhou que, para realizar o acompanhamento dos produtores, trabalham em conjunto com a UNCUYO, onde participam alunos de design, comunicação e agronomia, o que permite capacitar quem precisa e ter escalabilidade.

“Nosso valor agregado é oferecer uma experiência de perto. Estamos lá e entendemos os problemas que acontecem. Hoje estamos focados no consumo familiar, nos pequenos produtores de alimentos, para que consigam passar de um canal artesanal para um digital”.

No ano passado, graças à AgroJusto, embora seu pai não tenha conseguido vender os 30 mil quilos de damasco, ele “conseguiu vender uma parte diretamente e contatar outros compradores; vai diversificando seu mercado, e isso é um avanço”, explicou.

“Todos os dias nos agradecem por terem conseguido fechar um negócio novo ou por terem perdido o medo de vender on-line”, acrescentou.

A história do “colono”

Fernanda contou um caso de sucesso em Misiones. Gastón Jacobi é um produtor agrícola de Gobernador Roca e feirante na Feira de Villa Cabello. Ele se chama de “o colono” por causa da sua atividade: “Ele passou por um processo de webinar que tínhamos implementado com o Ministério da Agricultura de Misiones e a Silicon Misiones e, desde o primeiro momento, entendeu a mensagem, criou sua loja virtual, pediu assessoria à nossa equipe e começou a vender on-line em duas ou três semanas”, narrou Bonesso.

“Ele vai às feiras com a produção já vendida e busca o extra, mas não depende disso. Mudou muito sua rentabilidade. É o nosso early adopter. Ama todo esse processo e nós estamos encantados com o progresso dele”, acrescentou.

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